10 set Informe sobre visita a Rafael Braga

Dia seguinte ao julgamento da apelação do Rafael Braga Vieira, no dia 27 de agosto, os advogados do DDH foram ao Complexo Penitenciário de Gericinó a fim de visitá-lo para informar o triste resultado da manutenção da sua condenação. Além disso, comunicamos sobre o pedido de trabalho extramuros formulado nos autos do processo judicial que tramita na Vara de Execuções Penais. 
Rafael recebeu com bastante tristeza a notícia da manutenção de sua condenação, mas ficou incrivelmente entusiasmado e confiante com a possibilidade de ver deferido seu pedido de exercício de atividade profissional fora do presídio.
O estado geral de saúde de Rafael parece bom. Apesar de mais magro e abatido, ele não apresenta queixas em relação às suas condições na carceragem; disse que está praticando atividades ao ar livre três vezes por semana. Sua única limitação é no sentido de precisar de novos itens entregues nos dias de custódia, especialmente artigos de higiene e roupas, uma vez que o Estado não disponibiliza estes produtos aos presos. Sendo assim, é certo que estes se tornam responsabilidade dos familiares dos detentos.
Rafael reclamou um pouco da comida, mas disse estar se alimentando razoavelmente bem e pediu especialmente um novo par de tênis, doação feita pela Comissão dos pais e familiares dos presos e perseguidos políticos do Rio de Janeiro (agradecemos muito!); agora ele poderá se juntar aos demais detentos nas atividades de futebol e corrida.
Os advogados reportaram a ele, ainda, a corrente de solidariedade que vem sendo promovida por diversas organizações, coletivos e pessoas em favor de sua liberdade. Rafael ficou especialmente emocionado quando informado acerca da vigília organizada pela ocasião de seu julgamento. Pediu que seus advogados agradecessem às pessoas que participaram do movimento e pediu, ainda, ajuda a sua mãe e irmãs, ponto que, sem dúvida, pareceu-nos o mais sensível para Rafael. Ele diz que tem muita saudade de casa, de sua mãe e sempre se mostra preocupado no que tange à manutenção da situação financeira de sua família.
Por fim, Rafael agradeceu muito aos advogados que o assistem e deixou seu desejo de benção divina, com uma voz cheia de ternura.
Além da visita ao Rafael, também visitamos a sua mãe Adriana Braga.
Na véspera do julgamento do Rafael, Adriana estava muito esperançosa que seu filho seria absolvido, inclusive fazia planos. Confessou a uma advogada do DDH que iria juntar dinheiro para comprar um cavalo e uma carroça para ele, assim poderia fazer o garimpo e juntar latinhas de um jeito mais fácil, disse que o Rafael adora cavalos. Ficou muito triste e decepcionada com o resultado do julgamento.
No dia 29 de agosto voltamos a entrar em contato com a Adriana, com o intuito de relatar a visita feita pelos os advogados a Rafael. Ela estava muito sensível e emocionada, especialmente com o suporte que vem recebendo da militância e de todas as outras organizações e pessoas envolvidas nessa corrente de solidariedade e apoio.
Ela se queixou muito do assédio da mídia, diz que tem sido demasiado e algumas vezes desrespeitoso com a sua dor. Explicamos para Adriana que a situação é delicada, pois existem alguns veículos de imprensa interessados em informar e outros em manipular ou meramente vender de forma sensacionalista a notícia, que devemos ter cuidado no contato com a mídia, mas antes de tudo demonstramos compreensão com seu incômodo.
Por fim, gostaríamos de agradecer em nome do DDH e do Rafael todas as pessoas que diariamente nos mandam mensagem de preocupação, pedido de informações e incentivos de coragem. As pessoas que se organizam em diversas manifestações de apoio ao Rafael pela cidade com grafites, cartazes, gritos, reuniões, pinturas, campanhas, vigílias e atos por todo o Brasil. Agradecemos especialmente às doações que lhe são enviadas, tanto para ele quanto para sua família, as oportunidades de emprego oferecidas para uma vida melhor fora do presídio, as orações e os grandes desejos de carinho e justiça.

Nosso muito obrigado!

Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2014.

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