28 jul Mães de Acari – 25 anos sem resposta!

No dia 26 de Julho de 1990, Cristiane Souza Leite, 16 anos, Rosana Lima de Souza, 18 anos, Wallace do Nascimento, 17 anos, Edio do Nascimento, 41 anos, Luiz Carlos de Vasconcelos, 37 anos, Moisés dos Santos Cruz, 31 anos, Antonio Carlos da Silva, 17 anos, Viviane Rocha, 13 anos, Luiz Henrique Euzébio, 17 anos, Hudson de Souza, 16 anos e Edson de Souza, 17 anos, foram retirados de um sítio em Suruí (Magé), onde passavam o feriado, por um grupo de encapuzados armados, que se identificaram como policiais. Exigiram jóias e dinheiro, e após “negociarem” durante cerca de uma hora, segundo testemunha do caso, D. Laudicena, já falecida, levaram os onze para local ignorado. Nem eles nem seus corpos até hoje foram encontrados.

As mães dos desaparecidos começaram uma busca que dura até hoje por seus filhos e por justiça, e ficaram internacionalmente conhecidas como as Mães de Acari, onde a maioria morava. O inquérito que investigou os fatos não achou os corpos e não acalmou os corações das mães.
Em sua luta por justiça e denúncias de policiais, as Mães sofreram perseguições, calúnias e ameaças, e uma delas, Edméia da Silva, foi assassinada em 20/07/1993. Mais recentemente, Marilene, outra combativa mãe, cansada de tantos embates e procuras, deixou esse mundo sem respostas.

Muitos atos têm nos lembrado desse e de outros episódios tristes que revelam a criminalização da pobreza e o extermínio como políticas básicas de segurança pública em nosso estado. O fruto do sofrimento dessas e muitas outras mães é a luta pelo respeito aos direitos humanos, o clamor pela justiça e pelo não esquecimento.

O Instituto de Defensores de Direitos Humanos esteve e estará presente nestas atividades.

Em 2009 o DDH assumiu a questão cível do caso Acari. A idéia é conseguir as certidões de morte presumida para ajuizar as ações de responsabilidade civil contra o Estado. Já conseguimos 5 das onze certidões que embasaram a propositura, na semana passada, da ação de reparação de danos.

É muito pouco, 25 anos depois, mas estamos certos que muitas conquistas ainda estão por vir, para as quais a mobilização e o não esquecimento são fundamentais.

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